Resenha: As Batidas Perdidas do Coração - Bianca Briones

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AS BATIDAS PERDIDAS DO CORAÇÃO

Trilogia Batidas Perdidas, Livro 1

Autora: Bianca Briones | Editora: Verus

Viviane acaba de perder o pai. Com a mãe em depressão, ela se vê obrigada a assumir o controle da casa com o irmão mais novo. Rafael teve o pai assassinado há alguns anos e agora viu quatro pessoas de sua família, incluindo a única irmã, morrerem em um acidente de carro. Viviane pertence a uma classe social que ele despreza. Rafael é tudo o que ela sempre ouviu que deveria evitar. Eles são opostos, porém dividem a mesma dor. Jamais se aproximariam se a morte não os colocasse frente a frente, e agora, por mais que saibam que são completamente errados um para o outro, não conseguem evitar uma intensa conexão, que poderá salvá-los ou condená-los para sempre. As batidas perdidas do coração é uma história sobre perdas e como cada um lida com elas. É o encontro atormentado entre a dor e o amor. Com uma narrativa sexy, envolvente e repleta de música, este livro traz a última tentativa de duas pessoas arruinadas que, juntas, buscam desesperadamente se encontrar.
=== Resenha ===

"A vida é muito mais que uma sucessão de fatos ao acaso. Quando você acha que nada mais pode acontecer, é exatamente aí que tudo muda."
Acho que essa é uma das resenhas mais difíceis que já fiz na minha vida, pois palavras me faltam para dizer o quanto amei, me diverti e me emocionei com este livro. Aprendi, com esse lindo enredo, elaborado pela Bianca Briones, que podemos superar tudo, mas para isso precisamos primeiro fazer isto por nós mesmos e depois por aqueles que amamos.
Este é mais um livro que nos mostra que a literatura nacional não é ruim, que temos autores realmente com talento e que amam o que estão fazendo, diferentemente daqueles pseudo autores que resolver entrar nesta profissão com a ilusão de que isto vai fazê-lo famoso e rico. Desculpa amigo, mas o mundo literário é difícil no Brasil e só quem sobrevive a este meio são os bons, os que realmente amam escrever independentemente disto lhe dar dinheiro ou fama.

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Viviane é uma jovem de 18 anos que tem uma vida luxuosa, mas nem todo o dinheiro que tem é capaz de aplacar a dor de perder seu pai, aquele buraco que ficou em seu peito nunca sairia, sempre estaria faltando um pedaço, pedaço este que pertencia ao homem que mais admirava e amava neste mundo. Apesar a dor ser grande ela tinha que fingir está bem para poder apoiar seu irmão e sua mãe a qual não era mais a mesma.
"É assustador como podemos potencializar e pensar que a nossa dor é a maior do mundo. Ela pode realmente ser maior para nós, mas não é a única."
Rafael é um jovem de um mundo completamente diferente de Viviane, porém eles tem algo em comum: A dor da perda. O rapaz está afundado em dor, pois acaba de perde sua irmã, os tios e o priminho de apenas 10 anos em um acidente de carro, acidente este causado por um riquinho bêbado ao qual nem aos menos viu a cor da cadeia mesmo depois de ter matado quatro pessoas por culpa da sua irresponsabilidade.
"Um dia após o outro. Um dia após o outro.
É assim que a vida segue, enquanto você sofre, ri, chora, ama, perde. Ela não para."
É neste sombrio dia de perdas que ambos os personagens se veem pela primeira vez. Eles não trocam palavras, apenas olhares, olhares tristes e cheios de dor, mas isto é o suficiente para conectá-los.
"Um brilho de inconfundível fúria surge antes que ele coloque as mãos nos bolsos do blusão cinza-chumbo e
se afaste.
Se meu irmão percebe, não diz nada.
É estranho e me pergunto a razão de me preocupar com isso. Talvez seja a ligação instantânea que a dor estabelece entre as pessoas. Ou talvez seja só um modo de desviar a atenção do que eu mesma estou vivendo."
Após este dia Viviane e Rodrigo, seu irmão, são obrigados a frequentar a terapia de grupo. É em uma dessas sessões que eles conhecem Lucas, um jovem que também perdeu entes queridos e, assim como eles, foi obrigado a frequentar aquele local.
"[...]— A merda da conexão da morte. É como uma ligação invisível do inferno. A gente tá conectado pela dor, e é mais fácil ficar junto. Cara, é como se ver o outro sofrendo entrasse em conflito com o que a gente sente, e querer ver o outro bem fosse maior do que querer enfrentar a própria dor.[...]
— Deve ser assustador e ao mesmo tempo muito seguro se ligar a alguém de forma irreversível porque as dores se completam, como se fizessem parte uma da outra — Fernanda divaga, juntando as mãos e entrelaçando os dedos. — É como se estivesse escrito que seria assim."
Bem, a conexão de Lucas e Rodrigo é imediata e logo os dois se tornam inseparáveis, o que deixou Vivi feliz já que o melhor amigo de Rodrigo havia se mudado para Londres, ou seja, ele não tinha ninguém para desabafar. Porém o que Viviane não esperava era que talvez essa amizade trouxesse problemas para ela, ou melhor, a fizesse encontrar com uma pessoa que poderia virar seu mundo de cabeça para baixo.
"[...]— Não sei como lidar com essa situação, então eu venho porque o Lucas não faz perguntas. Ele sabe. Ele não vai me julgar se eu rir. Parece que às vezes, se eu rio, é como se eu estivesse matando meu pai outra vez. Mas eu não quero sofrer pra sempre.[...]
Lucas coloca a mão no braço do amigo, sem dizer uma palavra, e percebo o óbvio: os dois são melhores que terapia um para o outro. Rodrigo e Lucas são iguais. São o ombro um do outro. O ombro que eu não tive. Talvez isso possa evitar que meu primo tome o mesmo rumo que eu."
Na saída da terapia quando a garota está esperando o namorado, um motoqueiro começa a fumar perto dela, fazendo com que sua alergia a atacasse, mas não foi apenas isto que a fez olhar irritada para o rapaz, havia o fato de que seu pai havia morrido por culpa de um câncer de pulmão sem nunca ter fumado, enquanto isto aquele motoqueiro estava usando algo que poderia destrui-lo e ainda estava extremamente saudável. Às vezes a vida não era nada justa. É por causa disto que uma discussão entre ela e Rafael começa, sem que a garota se quer perceba que aquele motoqueiro era o rapaz do hospital, é apenas quando a garota está para ir embora que ela ver as tatuagens nos dedos dele e isto lhe revela quem o rapaz é. A briga não acaba nada bem, fazendo com que aquele segundo contato seja um fiasco.
"Meu pai dizia que o destino é como uma flecha atirada por um exímio arqueiro. Às vezes você está ali, sorrindo, cantando, amando, e a flecha te atinge de forma certeira, no coração. Exatamente no lugar mais frágil."
Aquela briga fez com que um sentimento de muita raiva crescesse no peito de Viviane, porém aquele sentimento se vai quando Rodrigo conta sobre a vida cheia de perdas de Rafael e pede que a garota o aceite no MSN para que ele pedisse desculpas. Sem ter como negar, ela o faz. A conversa entre eles se desenvolve melhor do que a que aconteceu após a terapia, ela dura tempo o suficiente para que Rafael faça um pedido de desculpas decente.
"— Você tá bem? — ele pergunta se abaixando e virando minha cadeira para ele, para que possa olhar para mim.
— Na medida do possível.
— Qual é o problema? — Ele apoia os braços em meus joelhos.
— Eu queria odiar esse cara — aponto frustrada para o computador. — E você me tirou isso.
— Desculpa.
— Não é sua culpa. — Seguro sua mão, precisando me apoiar em algo. — Acho que nem dele, né?
— Acho que não. A barra dele é ainda mais pesada que a nossa."
No decorrer do livro vários fatos fazem com que Rafael e Viviane sempre se encontrem, levando-os a se conhecer e aos poucos notarem que um entende o outro perfeitamente bem. Apesar da garota ter um namorado aos poucos um sentimento pelo bad boy cresce em seu peito, deixando-a um tanto temerosa quanto a isto, afinal de contas, um relacionamento com o galinha Rafael é incerto, porém isto pode mudar, já que mesmo Rafael tentando esconder de si mesmo ele está sentindo algo forte pela garota e aos poucos isto o faz mudar, ou seja, seus muros vagarosamente vão desmoronando permitindo assim que Vivi entre em sua vida, além disto, as outras garotas já não mexem tanto com ele como antes, agora tudo o que o rapaz tem na cabeça é aquela riquinha metida a Avril Lavigne.

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Terminei o livro com o coração na mão, desejando mais e mais desse casal que sofreu durante todo o decorrer do enredo. Acho, só acho, que a Bianca deveria presentear os seus fãs escrevendo um conto sobre a vida de Vivi e Rafa depois de passar por tudo aquilo. Fiquei com um gostinho de quero mais na boca e preciso de algo para me saciar.

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